SBNeC 2010
Resumo:A.010


Poster (Painel)
A.010Caracterização do repertório comportamental da interação mãe-filhote sob diferentes paradigmas de ansiedade: um estudo preliminar
Autores:Camila Batista Padilha-hoffmann (UFES - Universidade Federal do Espírito Santo) ; Luiz Carlos Schenberg (UFES - Universidade Federal do Espírito Santo) ; Ana Paula Santana de Vasconcellos-bittencourt (UFES - Universidade Federal do Espírito Santo)

Resumo

Experiências dos primeiros anos de vida são determinantes no desenvolvimento psicológico e fisiológico dos indivíduos, e eventos traumáticos no período perinatal, tais como a privação da presença materna, abuso ou negligência, ou exposição a contextos aversivos, são potenciais desencadeadores de psicopatologias na vida adulta. O psiquiatra John Bowlby propôs que a função evolutiva do apego mãe-filhote é o de proteção contra seus predadores em potencial, e justamente por isso a privação da presença materna representa um evento altamente ansiogênico para os seus filhotes. Objetivos: O objetivo deste trabalho é avaliar as características da interação mãe-filhote frente a contextos ansiogênicos e aversivos, comparando-as com a interação social de outros animais nas mesmas situações. Metodologia: Foram utilizadas ninhadas de ratos Wistar, padronizadas em seis filhotes machos/ninhada, mantidos em condições controladas com manipulação somente para limpeza das gaiolas. Aos 18 dias de idade, os animais foram organizados em grupos para avaliação nos protocolos comportamentais. Os grupos foram organizados da seguinte maneira: 1) filhote sozinho (N=6), 2) filhote+mãe (N=8), 3) filhote+irmão (N=7), 4) filhote+fêmea adulta (N=9) e 5) filhote+macho adulto (N=7). O primeiro experimento, realizado aos 18 dias, foi o teste de interação social (TIS), que consiste em avaliar as interações dos filhotes com suas duplas (cheirar, seguir, lamber), bem como o comportamento exploratório, durante 10 minutos de exposição a um campo aberto. Os primeiros 5 minutos de avaliação foram realizados na presença de um estímulo neutro, após os quais foi inserida no campo aberto uma fonte de odor aversivo (odor de gato). No dia seguinte, os animais foram submetidos ao labirinto em cruz elevado (LCE), que foi modificado para observação da influência da presença de outro animal sobre o comportamento nesta tarefa, ou seja, os animais foram expostos ao LCE em duplas, conforme listado anteriormente. Os dados foram analisados pelo software SPSS, utilizando-se ANOVA de uma via para comparação entre os grupos, aplicando-se o teste post-hoc de Duncan quando indicado, e teste t de Student pareado para comparações antes e após o odor no TIS. Resultados: Os dados obtidos, ainda preliminares, indicam que a exposição a um estímulo aversivo induz uma tendência a diminuição da latência (em segundos) para início da interação social dos filhotes com suas mães (2=68,63+16) quando comparado à latência para interação dos filhotes com outros animais (3=245+36; 4=127,22+33,3; 5=120,86+47,38). Da mesma forma, a interação social dos filhotes com a mãe, bem como com outra fêmea adulta, foi maior após a exposição ao odor do gato quando comparada aos demais grupos (2=29,1+7,6; 3=9+5,9; 4=36+11; 5=10+4). O odor do gato provocou uma diminuição significativa na atividade exploratória de todos os grupos. No LCE, a exploração dos braços abertos foi significativamente diminuída pela presença de outro animal (1=65,33+34,26; 2=3,88+3,87; 3=2,71+1,78; 4=7,22+5,15; 5=9,29+7,23). Conclusão: Embora no LCE a presença de qualquer animal tenha diminuído a exploração dos braços abertos, a exposição a um estímulo aversivo no TIS aumentou a interação dos filhotes apenas com as mães, corroborando a função evolutiva de proteção da interação mãe-filhote.


Palavras-chave:  Ansiedade, Interação Social, Medo incondicionado, Relação Parental